
Dentro dos pequenos exemplos que tenho hoje do sentido da vida, há um de maior valor que em nada me recorda a infância, adolescência ou algo assim, mas me traz diretamente para a realidade do hoje. A maternidade me faz a mais sublime de todos os meus ‘eus’. É aí que sinto parte mais que integrante de um mundo cheio de coisas feias, às quais prefiro manter distância e, de repente, até fechar os olhos. Nada tem o poder de me tirar a plenitude dessa vivência do meu ser. A mais linda de todas as experiências de minha vida. Ela mesma, a professora do meu doutorado em vida. A mãe que me descobri, me fez crescer, ser, estar, fazer, resolver, mover, berrar, jogar pro alto tudo o mais ao redor, só pra honrar meu papel. E isso é hoje, meu combustível. Fácil? Não, nunca foi. E nada é. Gostoso? Sim, quase sempre. Hipocrisia não cola comigo. Porque dizer que acordar todos os dias pela madrugada, de manhã cedo, ou não poder esticar o sono até o meio dia, não é de todo gostoso. É, mas só até o momento em que se percebe que deixa de ser uma opção. A obrigação me deixou tão responsável que, mesmo cansada, não quero um só dia dormir até mais tarde, as madrugadas podem durar um dia inteiro, não me incomoda. Porque o que quis dizer com – quase sempre gostoso – foi apenas o fato de que é sério demais para ser brincadeira, é bonito demais pra ser ruim, é doloroso demais pra ser de todo bom, mas, sem dúvida, é alcançar a supremacia em importância no mundo.
É ter um patrão menor que você, que não te grita, não te demite, cobra teus horários, mas abre o maior sorriso quando olha pra você. Não te paga salário – pelo menos, não em dinheiro – paga-te com as melhores moedas: a companhia, os sorrisos, as descobertas, a confiança, a segurança em ter você do ladinho. Isso torna qualquer mãe o ser mais importante do mundo. É assim que me sinto hoje. Não é coisa fácil administrar a vida de um ser tão pequeno e saber que ele é o teu espelho. Estar perto sempre, resolver tudo o mais que há de difícil na vida dele, até quebrar os protocolos da boa educação só pra defendê-lo; sem perder o jogo de cintura, claro, porque senão vira baderna – mas só por ele você é capaz disso tudo.
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