
A história que vem agora trata de uma mulher aventureira, que queria subir uma serra sozinha. Pra dar seguimento a este feito, estava devidamente equipada para o surgimento de qualquer contratempo. Assim, seguiu com duas mochilas pesadas, mãos ocupadas e... pernas, muitas pernas pra dar aos quilômetros que precisaria percorrer.
Um grupo de amigos também seguia a mesma viagem. Porém, cada um com suas artimanhas pra tornar a caminhada mais confortável. Alguns de carro, moto, pouca bagagem, enfim, todos no mesmo movimento. Ela tinha a ideia fixa de seguir “sozinha”. Ou seja, em grupo, mas individualmente.
Sempre que alguém precisava de ajuda, ela tinha uma solução. Água, remédio, curativo, tudo. Também, com toda aquela bagagem, podia até montar um pronto socorro (rsrsrsrsrsrsrs). As pessoas pediam pra carregar suas malas, dar uma carona...tentavam ajudar de todas formas. Mas ela – com sorriso largo – dizia: - Tá tudo bem! Pode deixar. E se passavam mais uns metros...
A moça parecia mesmo satisfeita com o trajeto. Quando alguém passava por ela, acenava dizendo: - Nos encontramos lá em cima! Às vezes, cansada, parava um pouco. Recuperava as energias e seguia. Pensando consigo, comentava: - Tá cansativo, mas emocionante. Tô louca pra chegar lá em cima.
O verdadeiro objetivo dessa “viagem”, era dar a si mesma o direito de enfrentar as dificuldades com a própria força. Era mostrar pra ela mesma o potencial que tinha de vencer, ainda que sem ajuda. Muitas coisas refletiam esse momento pra ela. O desejo da moça “solitária” nada mais era do que chegar lá em cima. Não importasse o tamanho dos tropeços. O histórico de toda uma vida estava resumido naquele percurso. Cada passo representava um dia mal vivido. E seguia...com rumo certo. Esperando a hora do desabrochar de uma nova descoberta em torno de si mesma.
Algumas pessoas a viam como pessoa orgulhosa, por não pedir ajuda. Outras questionavam o tamanho da teimosia; havia também quem não acreditasse que seria capaz. E tinha aquelas que só admiraram a superação daquela mulher.
E enfim, acabou a caminhada! No topo da serra, ela olhou pra tudo aquilo e disse: -
Isso tudo aqui é meu! Valeu! Os ombros doloridos, mãos feridas, pés calejados, foram a prova de tudo aquilo que conseguiu fazer sozinha. Foi o verdadeiro sentido do potencial existente nela.
Sem fazer nenhuma menção ao individualismo despropositado, sentou-se junto aos amigos e deu graças por terem esperado por ela e estarem presentes num momento tão importante de sua vida. Onde se descobriu mais forte do que ela mesma.
E lá estava ela! Pronta pra outras...
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