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quinta-feira, 18 de março de 2010

Debatendo os Gays


Aí, consegui parar um minuto pra assistir à nova programação da MTV (O Canal dos Ovos de Ouro), começando pelo MTV Debate. Gosto do formato do programa. Só acho curto, levando em consideração os bons temas abordados. O assunto do dia era: Direitos dos Gays. Com base nas mudanças que o Governo quer fazer no texto tocante aos direitos humanos do seguimento. Ora, ora...já dava pra imaginar que a coisa ia ser séria.

Presentes à mesa: uma juíza (que escrevera um livro em defesa do assunto), um travesti (professora concursada), um jovem ativista do movimento gay, o representante (homofóbico) de um órgão evangélico, um estudante universitário e um sociólogo. Foi engraçado ver como um assunto – hoje tão bem discutido em várias esferas da sociedade – ainda mostra tanta resistência, impasse, ignorância e certa imbecilidade. Sim, porque não se trata de direitos gays, e sim de direitos humanos. Ou seja, cabe a todos os cidadãos brasileiros. Não precisa haver discussão sobre. A palavra é: Ação.

O problema do Brasil não está no texto apenas, é a educação que falta. É a falta do cumprimento das leis que torna os crimes impunes. Os números gritantes quanto a crimes de ódio cometidos a gays é algo assustador (por sinal, no programa, o homofóbico presente estava sempre rebatendo os números. Julgando-os mentirosos). O Brasil vive uma guerra civil, pois a violência atinge a todas as camadas da sociedade. Obviamente que, quando o assunto é homossexualismo, impera um “dó” maior por se tratar de minoria (se bem que tá crescendo...).

Mas, não há como negar que, mesmo após tantos avanços, ainda há crimes de racismo, preconceito por distinção de classe, homofobia e outros mais. O brasileiro é preconceituoso, mal educado, mal criado. É aí que o Governo tem que agir. Educação é a palavra da busca. Incessante pelo sentido de traduzir a maior necessidade de uma nação que deve aprender o que é respeito desde o trato com o porteiro do condomínio de luxo (seja ele gay ou não). Leis são necessárias para fazer a ópera soar bonita. Pra consolidar que essas classes existem e que precisam regulamentar seus direitos. Mas, além de existirem, precisam ser aplicadas, corrigidas, e, acima de tudo, cumpridas. Coisa cada vez mais difícil.

E por falar em preconceito, acredito que o sistema de cotas para negros traduz isso. Que os negros do Brasil precisam de um artifício judicial para considerá-los capazes de competir uma vaga com uma pessoa de cor branca. Ou seja, o branco aqui é mesmo superior ao negro? Intrigante! Acredito que cotas para estudantes de escolas públicas são válidas porque reconheço a inferioridade na qualidade do ensino. Porém, isso dá ao Governo a chance de, ao invés de melhorar as escolas, permitir as cotas e continuar sem investir na educação. Uma espécie de “cala a boca”.

Sim, voltando ao debate...Além da violência contra gays, foram discutidos os direitos de casais e adoção. Ainda não existem leis que regulamentem pensão e partilha de bens do cônjuge em caso de morte de uma das partes. Isso é importante por existirem casos de uniões estáveis e reconhecidas inclusive pelas famílias. O que, na minha opinião, imprime a maneira mais concreta de casamento. Portanto, com direitos a ambos. No tocante à adoção, ainda é um tema que embaralha meus pensamentos. Não por achar que família se constitui de pai, mãe e filhos. Essa é a forma mais imoral de tornar a todos infelizes. Pois, de nada adianta à vida de uma criança que é criada sob a pirâmide convencional da família sem ter seus direitos respeitados. O que acontece, e muito, no Brasil. Sem contar os casos de estupros, agressões, por pais e mães heterossexuais. Vale lembrar que, num país onde uma criança é jogada do 7º andar por uma dupla constituída por pai e madrasta, não pode determinar referência de estrutura familiar. Ainda não sei como deveria se tratar essa coisa da adoção... Mas isso só poderá ser discutido quando gays forem reconhecidos, ou seja, lá na frente. Ainda há muita polêmica a seguir.

Enfim, o debate foi curto, mas rendeu assunto à beça. O que importa é chamar o assunto a público mesmo. As pessoas ainda usam a homofobia como forma de defesa. Isso é perigoso! As ações governamentais precisam intervir diretamente na educação, punição ao desrespeito ao próximo. Vindo de qualquer esfera social. Isso dará a gays, heteros, negros, brancos, ricos e pobres, deveres iguais. E, quando os deveres atingem a todos num mesmo patamar, a garantia dos direitos está intrínseca de maneira sutil e automática. Espero viver o suficiente pra assistir um desses debates contarem a evolução do país. Relembrando as lutas e vibrando com as vitórias.

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